A gestão eficiente de Resíduos da Construção e Demolição (RCD) é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades para a sustentabilidade nos municípios e no setor da construção civil.
Para aprofundar esse tema e entender como transformar o descarte de entulho em solução ambiental e econômica, trazemos uma entrevista exclusiva com Gilberto Valverde, um dos pioneiros no desenvolvimento e implantação do Geresol (Gerenciamento de Resíduos Solidificados) em Jundiaí/SP.
A Origem do Geresol e a Mudança de Paradigma
Em 2013, o município de Jundiaí enfrentava um problema crônico comum a diversas cidades brasileiras: mais de 1.300 pontos de descarte clandestino de entulho. Esse cenário gerava um custo financeiro e ambiental altíssimo para a gestão pública.
Com a implantação da usina de beneficiamento no Geresol, a cidade estruturou um ciclo completo: recepção, triagem, beneficiamento e reutilização.
Como destaca Gilberto Valverde no vídeo, a verdadeira economia circular só acontece quando o material processado é efetivamente reaproveitado:
“O importante é recepcionar, triar e usar. Senão, saímos de um monte de entulho para um monte de material processado parado, gastando energia e dinheiro sem utilidade.”
Vencendo as Resistências e o Preconceito Técnico
A consolidação do modelo levou cerca de dois anos de trabalho intencional, envolvendo testes de laboratório, criação de normas técnicas e diálogo constante entre o poder público, transportadores de resíduos e a população.
Vencer a resistência inicial em relação ao uso do agregado reciclado exigiu comprovação técnica de qualidade, garantindo que o concreto reciclado é uma alternativa segura, viável e ecologicamente responsável.
Custo Ambiental x Custo de Destinação
Outro ponto fundamental abordado na entrevista é a precificação correta da destinação dos resíduos. O valor do transporte e descarte em caçambas regulares reflete o custo real do tratamento e beneficiamento adequado do material.
Enquanto caçambas clandestinas descartam entulho em terrenos baldios e mananciais gerando enorme passivo ambiental, o tratamento correto assegura a preservação dos aterros municipais de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) — que, diferentemente do entulho, reduzem de volume com o tempo devido à degradação orgânica.
Assista à Entrevista Completa
Assista no vídeo abaixo à conversa na íntegra e confira os detalhes técnicos e operacionais desse projeto que se tornou referência nacional em gestão de RCD:
Sobre a Asten
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